sábado, 3 de fevereiro de 2007

Normalidade

Ser normal é muito louco: ir trabalhar todos os dias no mesmo horário, fazer as refeições sempre no mesmo horário e à frente de um aparelho alucinado de televisão. Comer muito, ficar gordo depois fazer ginástica e ficar doente por conta de toda essa normalidade. Trabalhar um ano inteiro e ter um mês para colocar em prática todos os planos de ser feliz. Amar muito alguém e nunca falar isso para esse alguém, para não correr o risco de perdê-lo. Namorar uma juventude inteira e quando resolve casar e viver juntos, demora menos que duas ou três primaveras. Andar sempre com pressa, porque o tempo é sempre curto. Acumular bens que não vai valer de nada para a vida superior e esquecer os valores que determinam uma prática saudável de convivência. Ver o mar, mergulhar no mar, mas não sentir sua imensidão, não perceber o movimento das marés. Poluir o planeta que habita, sem chances de habitar outro ou de reverter realmente a situação de caos. Isso é ser normal, atualmente.
Enquanto que o louco perceberia a chuva que cai pela manhã o céu alaranjado do pôr-do-sol, as crinças brincando, as cores do mar, andaria sem muita pressa e sentiria as pessoas e acreditariam nelas.
Acho que tem menos louco do que deveria, e entramos na normalidade sem perceber o tamanho da loucura que mergulhamos nossas emoções e nossa alma.

Um comentário:

Unknown disse...

Depois de passar 10 dias no deserto das prais do Norte, em Ilhéus, estes questionamentos povoaram a minha mente. E deu para perceber que há outra realidade possível, basta querermos. Beijosss